Inclusão escolar: como família, escola e terapeutas podem atuar juntos


A criança volta da escola calada. Não é a primeira vez. A mãe pergunta o que aconteceu, e a criança diz que não quer voltar. Às vezes a queixa vem da escola: a criança bateu, saiu da sala, não seguiu a atividade, não participou da roda. A família escuta que talvez precise de "acompanhamento", "mediador", "escola especial". O tom é o de quem está transferindo um problema.
O que falta nesse ponto é o que deveria existir desde o início: um plano único, construído em conjunto, que una o que a criança faz na clínica, o que a família faz em casa e o que a escola precisa oferecer em sala.
A criança com deficiência, qualquer que seja o diagnóstico, vive em três ambientes: a clínica, a escola e a casa. Cada um deles ensina, cobra e provoca uma reação diferente. Quando o que se ensina num lugar contradiz o que se cobra no outro, a criança entra em colapso. E a causa costuma ser incompatibilidade de expectativa.
Por isso família, escola e terapeutas precisam atuar juntos, e isso é parte do tratamento. A criança que chega na clínica regulada, descansada, evolui mais rápido do que a criança que chega exausta de uma escola que não a entende. E o que a escola cobra dela é diferente quando o terapeuta mostra ao professor, em linguagem prática, o que a criança consegue fazer.
A legislação brasileira é clara nesse ponto. A Lei Brasileira de Inclusão, Lei nº 13.146, de 2015, assegura à pessoa com deficiência o direito à educação em escola regular, em todos os níveis, com matrícula obrigatória, acessibilidade física e atitudinal e atendimento educacional especializado. Quando a escola não tem estrutura, a família pode recorrer à Justiça. Quando a escola recusa matrícula por causa da deficiência, a recusa é discriminatória, e o Ministério Público pode ser acionado (BRASIL, 2015).
A escola brasileira, em geral, não foi feita para isso. A formação do professor de educação básica não prepara para mediar uma crise sensorial, adaptar uma atividade para uma criança com atraso motor ou interpretar o comportamento de uma criança com TEA numa sala cheia. No máximo o professor recebe uma formação continuada rápida e insuficiente. O mediador, quando existe, cobre uma escola inteira e atende o que dá.
A escola funciona com o que tem. O terapeuta que atende a criança dentro da clínica precisa saber o que acontece fora dela também, porque ignorar o que a escola cobra da criança é tratar só metade do caso. Se a criança está em casa regulada, com sono, alimentação e rotina estáveis, mas na escola entra em crise, é preciso entender o que muda naquele ambiente. E se ela evolui na clínica mas regride na escola, o trabalho clínico está sendo parcialmente desperdiçado.
A orientação concreta para a escola, escrita em linguagem que o professor entende, é parte do plano terapêutico. Ela não substitui o mediador quando ele existe, tampouco a formação do professor, mas reduz o atrito entre o que a criança precisa e o que a escola consegue oferecer. Em muitos casos, é o que viabiliza a inclusão de fato.
Por aqui, a equipe interdisciplinar acompanha a criança dentro da clínica e devolve à família, ao fim de cada sessão, o que foi trabalhado e o que pode ser levado para casa e para a escola. Quando o caso pede, a orientação escrita para a professora ou para o mediador é construída junto com a família, em linguagem prática. A reunião clínica semanal garante que toda a equipe, da fonoaudiologia à psicologia, esteja lendo o mesmo caso, inclusive a parte que acontece na escola, que a família traz para a reunião.
Nesses quase 27 anos, o que se consolidou é que a inclusão escolar real depende mais de articulação entre os três ambientes do que de qualquer política pública isolada. O que a escola recebe da família do CEADI é leitura clínica do caso, em termos que o professor consegue aplicar em sala. Essa leitura vem da reunião clínica, do acompanhamento que a equipe faz há meses ou anos, e do fio do plano terapêutico que se mantém coerente entre clínica e escola.
Inclusão escolar real é a criança entrar na escola, permanecer e aprender. Para isso acontecer, a engrenagem precisa girar inteira. Quando família, escola e clínica giram juntas, a inclusão deixa de ser discurso e vira prática.
O CEADI atende nas duas unidades, Salvador na Pituba e Santo Antônio de Jesus no Centro Médico Itaguari, de segunda a sexta, das 8h às 19h. Para agendar uma avaliação com a equipe interdisciplinar, o contato é pelo WhatsApp (71) 98154-0908, em Salvador, ou (75) 98201-4959, em SAJ.
CEADI, Centro de Estudos e Atenção ao Desenvolvimento Infantil
Rua Amazonas, 509, Pituba, Salvador, BA Telefone (71) 3011-6896, WhatsApp (71) 98154-0908
Santo Antônio de Jesus, Centro Médico Itaguari, Sala 425, WhatsApp (75) 98201-4959




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